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"Você não pode ensinar nada a um homem; você pode apenas ajuda-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo."
Galileu Galilei

25 de abril de 2010

UM TEMPINHO NA REDE

– Lynn Hutner Colwell
Virei-me na cama e estendi o braço para apanhar o caderninho de espiral onde anoto, em letras graúdas, a lista de coisas a fazer durante o dia. Steve costumava caçoar de mim por causa dessa agenda escrita, mas o fato era que, se eu não me organizasse de véspera, como iria dar conta de todo o meu trabalho diário? Naquela manhã, logo no topo da lista, fitava-me carrancuda a anotação "Limpar o armário embutido do corredor". Com desânimo, comecei a remexer em sapatos descasados, jogos em que faltavam peças, velhas caixas de fotografias. Foi então que vi a rede, jogada no chão. Lembrei-me da graça que Steve e eu achamos quando meu irmão nos tinha dado a rede. À exceção de duas pequenas árvores esguias, nossa propriedade naquela época era completamente pelada. relegamos o presente inútil ao fundo do armário. Agora, olhando pela janela, vi as duas árvores viçosas em que se haviam transformado as duas arvorezinhas delgadas. Com todo o cuidado possível, estendi a rede entre os dois troncos firmes. Ela era uma espécie de casulo engenhosamente tecido de fios vermelhos e amarelos. Podia acomodar, no seu arco de 3m, dois adultos ou diversas crianças. O choro agitado da nenê interrompeu meu devaneio. Era Corey, com fome. Eu já estava acostumada a lhe dar de mamar segurando-a num dos braços, enquanto, com o outro, espanava ou passava o aspirador pela casa. Mas só desta vez, pensei, com certo sentimento de culpa, vamos deitar na rede. Corey e eu nos instalamos como dois pássaros num ninho. Ela ficou mamando, enquanto eu procurava enxergar as nuvens através do dossel de folhagem. Senti-me inteiramente em paz. Depois veio o sentimento de culpa: este mundo de Deus estará aqui amanhã, mas é hoje que minha filhinha vai precisar das fraldas lavadas! Às 15:00, ouvi os passos do meu filho de seis anos entrando em casa. Olhei e vi o rosto dele, desconsolado. "Que foi, Chris?" perguntei. "Nada, mãe", respondeu ele, parecendo não ter vontade de contar. "Olhe para lá", disse eu, apontando para a janela. "Uma surpresa para você!" "Puxa! Que bacana!" exclamou ele. "Podemos balançar nela?" O rostinho dele refletia uma felicidade tal que controlei o impulso de dizer "Não". Saímos juntos e nos deixamos envolver pelo amplexo da rede. havia muito tempo que não o segurava tão de perto. "Sabe o que aconteceu na escola?" perguntou Chris, magoado. "Hoje aquele grandalhão que vive me atormentando, me dizendo desaforos diante dos outros garotos, tentou abaixar minhas calças. Então eu..." Seus soluços abafados fizeram a rede estremecer. Fiquei furiosa com aquele covardão, mas ao mesmo tempo, feliz. Chris tinha aberto seu coração para mim. Aquele garotinho retraído, que raramente expressava seus sentimentos, estava confiando a mim a parte mais frágil de seu ser. Naquela noite, Steve chegou do trabalho parecendo exausto. Depois de as crianças já estarem na cama, levei meu marido até a rede. Antigos sonhos despertaram. Conversamos horas a fio, e nos sentimos mais unidos do que nunca.
De manhã, acordei com o ruído de um trovão. A chuva caía torrencialmente do céu escuro. Olhei para minha mesa-de-cabeceira, e nela havia um bilhete de Steve. "Por favor, ponha a rede em sua lista para a noite de hoje!" Durante vários momentos acompanhei os pingos de chuva, em sua descida sinuosa pela vidraça. Depois rasguei a lista das tarefas daquele dia, e gritei para meu filho: "Vamos correr lá para fora, e sentir o gosto da chuva!"
– GUIDEPOSTS MAGAZINE (JUL 1983) - SEL / jul 86

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QUEM LÊ SABE MAIS .

05 / 08 / 2010 Arqueólogos encontram complexo subterrâneo em pirâmide no México
http://www.ambientebrasil.com.br/

Um complexo subterrâneo foi localizado sob a pirâmide de Quetzalcoatl, no sítio arqueológico de Teotihuacán, conforme divulgou o Instituto Nacional de Antropologia e História mexicano (INAH).

A construção, composta por um túnel, daria acesso a uma série de galerias sob o templo dedicado a uma das principais divindades astecas, com aspectos de serpente e de pássaro.

Segundo os arqueólogos, a entrada do complexo estaria há 12 metros de profundidade e foram necessários oito meses de escavações para descobri-la.

Os especialistas acreditam que o local pode conter os restos de governantes da antiga cidade no centro do México.

A entrada do túnel teria sido fechada há 1,8 mil anos pelos habitantes e a estrutura é anterior à construção do tempo de Quetzalcoatl. O local recebia oferendas diversas como ornamentos fabricados com conchas, jade, ardósia e obsidianas.

Ao todo, o complexo teria 100 metros de profundidade. Descoberto em 2003 por Sergio Gómez e Julie Gazzola, o complexo só pode ser explorado após sete anos de planejamento e captação de recursos financeiros. A equipe que realizou o trabalho é composta por 30 profissionais.

– (Fonte: G1)

" FRASEANDO "


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